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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

O Natal no Mundo

“Agora que se aproxima a época do Natal, vamos dar-te a conhecer algumas das tradições que outros povos de vários continentes têm para celebrar esta data festiva. Espero que satisfaças a tua curiosidade!”
Natal em Inglaterra



Tradições de Natal
Rússia 
O Dia de São Nicolau é celebrado no dia 19 de Dezembro, evocando a viagem de Príncipe Vladimir a Constantinopla no século 11, para ser baptizado. Voltou à Rússia com histórias dos milagres de São Nicolau de Mira, conhecido pela sua bondade, especialmente para crianças.
São Nicolau se tornou o santo padroeiro de Moscovo e as suas vestes e barba branca serviram de protótipo para o que se chama Pai natal ou Papá Noel pelo mundo fora.

Na época do Natal, Babouschka distribui as prendas. Ela se esqueceu de dar comida e abrigo aos Três Reis Magos e passou o resto da eternidade à procura deles, visitando as casas das crianças, distribuindo prendas para compensar seu “pecado”.


Outra figura que distribui as prendas é Ded Moroz (Avó Geada), acompanhado pela sua neta, Snegouroschka, a Moça de Neve, que cuida de Ded Moroz e o ajuda a distribuir as prendas na noite de 31 de Dezembro.
Natal na Rússia é baseado no calendário Juliano e por isso celebra-se no dia 6 de Janeiro, a véspera de Natal. A refeição é tradicionalmente sem carne, mas é uma refeição festiva com vários pratos, mas o prato central é Kutya, uma papa feito de bagos e grãos, simbolizando esperança e imortalidade, sementes de papoila e mel, simbolizando sucesso, felicidade e descanso. Todos os presentes comem a Kutya do mesmo prato, símbolo de unidade.
Algumas pessoas atiram uma colher de Kutya contra o tecto e se ficar, sem pingar, a safra de mel será boa para o ano seguinte.
Na véspera de Natal em 6 de Janeiro, as pessoas levam velas e lanternas, e dão a volta à Igreja. Chama-se a Procissão Krestny Khod.
Depois do serviço, em que cantam cânticos e rezam, voltam a casa para a ceia de meia noite.

Olga SELYANINA PRAVDA.
Rússia

China
Por: DANIEL CEREZO, Correspondente em Macau

Pouco a pouco, muitos chineses começam a assimilar e a integrar o Natal nas suas festas anuais. Isto acontece em Hong Kong, Macau e, em menor grau, em Taiwan.

Também na China o Natal começa a ter alguma influência. Sobretudo pela abertura do país e o desejo dos jovens em imitarem tudo o que seja ocidental. Todavia, o lado religioso do Natal é celebrado só pelas pequenas comunidades cristãs espalhadas pela China. Para elas, o Natal é uma das mais importantes festas do ano. É comum ver as igrejas cheias de crentes, mas também de visitantes que, por curiosidade, se associam às celebrações.

Para muitos chineses que vivem na Ásia, o Natal é visto como um festival com muito divertimento, árvores estranhas, o Pai Natal a distribuir presentes e votos de boas-festas, uma época de longas celebrações cheias de diversão, luzes coloridas e bonitas decorações nas ruas e nas portas dos restaurantes. Numa palavra, negócio.

E quanto ao aspecto religioso da festa? Arrisco-me a dizer que, para a maioria, é bastante obscuro ou totalmente desconhecido.

As características chinesas do Natal são as seguintes:
Decorações: as luzes festivas em Hong Kong, Macau, Taipé e Pequim atraem pessoas locais e turistas numa demonstração invulgar de cor e decorações natalícias. De entre as decorações sobressai a árvore de Natal brilhantemente decorada com luzes e ornamentos. Em Pequim, as árvores de Natal estão a tornar-se um cenário comum nesta época, acompanhadas por lâmpadas de néon e as boas-festas do Pai Natal «Shen-dan jie lao-ren».


Os frontispícios das lojas de comércio, onde os preços sobem consideravelmente, são iluminados. A árvore mais alta do ano passado, em Taiwan, tinha para cima de 30 metros e custou mais de dez milhões de dólares taiwaneses. Isto leva muitos a pensar que o Natal celebra o nascimento da árvore.

O Pai Natal é também uma figura popular durante quadra natalícia. Na cidade de Taipé torna-se o maior angariador de dinheiro para fundações e bancos. Estes competem entre si na organização de cerimónias de recolha de fundos. Uma delas, no ano passado, em Taipé, tinha como lema «Ilumina uma vida», e patrocinava obras de caridade. Por cada oferta de mil dólares locais, era acesa uma luz na mega-árvore de Natal situada na sede central do banco organizador da campanha.


Troca de presentes: a tradição da oferta e troca de presentes no Natal começou com os três Reis Magos e também está a difundir-se aqui. O Natal é definido como um tempo mágico em que os sonhos e desejos se realizam. É um tempo em que não se pensa só nos entes queridos mas também nos outros. Além disso, há cânticos de Natal e troca de boas-festas.
 
Em muitas empresas da área urbana organizam-se festas de Natal e bailes de Ano Novo. Abundam as decorações de luzes, árvores e estrelas. Na televisão e nas ruas ouvem-se cânticos de Natal e vêem-se cartões de boas-festas de todos os feitios.

O Natal chinês é muito comercial e gastronómico. Para a comunidade empresarial é uma oportunidade para fazer negócio. E a parte espiritual do Natal? Poucos chineses realmente a conhecem. Mas o mesmo se passa no Ocidente...

Todavia, nem tudo é negativo. Há um pouco de boa vontade que cresce nestes dias. Algumas organizações de caridade e organizações não governamentais procuram ir ao encontro de alguns desejos natalícios com a colaboração dos comerciantes e industriais. Deste modo, têm-se ajudado bastantes órfãos e famílias pobres.

O povo chinês apreendeu desta festa o que é pragmático e concreto, aquilo que, de resto, ficou em muitas sociedade ocidentais.



Guiné-Bissau

As tradições de Natal na Guiné-Bissau são bastante diferentes das europeias. Mesmo dentro da Guiné existem grandes diferenças entre a capital do país, Bissau, e o interior do país. Independentemente do local onde vivem, cada etnia tem as suas próprias tradições e os guineenses que são católicos celebram o Natal de formas diversificadas.

No interior do país é habitual juntarem-se grupos de jovens da etnia Balanta e também de outras etnias durante a época das chuvas para fazerem a lavoura nas terras. Estes grupos são constituídos por cerca de 15 jovens. O pagamento desse trabalho é feito pelo dono de cada terra, através do pagamento de uma certa quantia ou de produtos (um porco, sacos de arroz ou outros produtos). Um dos jovens fica responsável por guardar o pagamento até à época do Natal. Com o aproximar do Natal, o grupo constrói uma barraca com folhas de palmeira, afastada da tabanca para os habitantes da aldeia não ouvirem o barulho dos festejos. Na noite de 24 de Dezembro os jovens de cada grupo juntam-se, matam um porco e dançam até à manhã de dia 25. No dia 25 convidam os mais velhos da tabanca e fazem uma grande festa onde comem, bebem, brincam e celebram durante todo o dia.

Em Bissau há missa à meia noite na véspera de Natal. Algumas famílias fazem uma ceia na noite de 24 de Dezembro. Embora não haja nenhuma comida típica para a ceia, podem fazer pratos tradicionais da Guiné-Bissau, como caldo de chabéu, caldo branco ou outros. A etnia Bijagó tem por tradição comer caldo de chabéu. No dia de Natal a festa dura todo o dia. Algumas pessoas cortam uma árvore do Bairro da Granja e é hábito decorá-la com balões.